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Intersolar 2026: por que o armazenamento domina a pauta
A Intersolar South America 2026 acontece de 25 a 27 de agosto em São Paulo, num ano em que o solar desacelera e as baterias triplicam. Entenda a virada.

A Intersolar South America 2026 acontece de 25 a 27 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo — e o tema que deve dominar os corredores não é o painel solar. É a bateria. O motivo está nos números: enquanto a ABSOLAR projeta o segundo ano seguido de retração em nova potência instalada, o mercado brasileiro de armazenamento mais que triplicou em um único ano.
A feira, principal evento solar da América Latina, faz parte da plataforma The smarter E South America, que reúne também as feiras de armazenamento (ees South America), mobilidade elétrica (Power2Drive) e infraestrutura elétrica (Eletrotec+EM-Power). Esse arranjo importa menos pelo tamanho do evento e mais pelo que ele sinaliza: é o palco onde o setor vai debater para onde o mercado solar brasileiro está indo. E os dados disponíveis antes mesmo de o evento começar já dão pistas bem claras sobre qual será a conversa central.
O mercado solar está desacelerando — mas não do jeito que parece
A ABSOLAR projeta que o Brasil deve adicionar 10,6 GW de nova potência solar em 2026, uma queda de 7% frente aos 11,4 GW instalados em 2025 — que, por sua vez, já haviam recuado em relação ao recorde de 15 GW de 2024. Seria o segundo ano seguido de retração, puxado por cortes de geração em grandes usinas, dificuldade de conexão à rede na geração distribuída e juros ainda altos de financiamento.
O movimento aparece também no investimento e no emprego:
| Indicador (ABSOLAR) | 2024 | 2025 | 2026 (projeção) |
|---|---|---|---|
| Nova potência solar | 15 GW (recorde) | 11,4 GW | 10,6 GW |
| Investimento no setor | — | R$ 40 bilhões | R$ 31,8 bilhões |
| Empregos gerados | — | 396,5 mil | 319,9 mil |
Ainda assim, o Brasil deve fechar 2026 com 75,9 GW de potência solar acumulada — sendo 51,8 GW em geração distribuída e 24,1 GW em usinas de grande porte conectadas ao sistema nacional.
Ou seja: o mercado desacelera em novas instalações, mas segue crescendo em escala acumulada. Para o integrador, isso significa que crescer não depende mais só de vender um sistema novo. Depende de vender mais para quem já tem — uma base que, no país inteiro, passa de 50 GW em geração distribuída.
Por que o armazenamento cresce enquanto o solar desacelera?
Enquanto a instalação solar tradicional perde ritmo, o mercado de baterias (BESS, ou Battery Energy Storage Systems) segue em trajetória oposta. Segundo estimativas da consultoria CELA (Clean Energy Latin America), o volume comercializado de baterias no Brasil pode ter saltado de cerca de R$ 700 milhões em 2024 para mais de R$ 2,2 bilhões em 2025 — mais que o triplo em um único ano, com o volume físico instalado passando de aproximadamente 1,3 GWh para 2,5 GWh no período.
Dois movimentos regulatórios devem acelerar ainda mais essa curva:
- O Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), previsto para 2026, passa a contratar potência e disponibilidade — e não apenas energia gerada —, abrindo caminho para que sistemas de armazenamento participem formalmente de leilões regulados pela primeira vez.
- A expansão do Fio B, que já provocou um movimento relatado por integradores em todo o país: o cliente com sistema instalado há anos passou a questionar quanto ainda está economizando de fato. Nesse contexto, o retrofit com bateria virou argumento de retenção, não só de venda nova.
São duas portas diferentes. O LRCAP puxa a indústria pelo lado da geração centralizada e da escala — o que, na ponta, tende a melhorar preço e disponibilidade de equipamento. O Fio B empurra a demanda de baixo para cima, direto no cliente que a sua integradora já atendeu e cujo contato já está no seu CRM.
O que isso significa para o integrador
O integrador que só sabe vender sistema on-grid novo está competindo num mercado que a própria ABSOLAR reconhece estar em retração. Já quem consegue conversar sobre sistema híbrido, retrofit com bateria, backup e otimização de tarifa (Branca ou Fio B) está mirando um mercado que deve crescer de forma consistente nos próximos anos, estimulado por leilão regulado, insegurança de fornecimento e por um contingente enorme de clientes que já têm sistema solar, mas ainda não têm armazenamento.
Não se trata de abandonar a venda solar tradicional. Trata-se de ampliar o portfólio para o cliente que a integradora já tem. Na prática, isso exige três coisas que não dependem da feira:
- Saber quem é a sua base. Retrofit é uma campanha para a carteira instalada, não para lead frio. Se os projetos entregues nos últimos anos estão espalhados entre planilha, WhatsApp e a memória do vendedor que saiu, não existe campanha de retrofit — existe recomeço.
- Conseguir dimensionar e precificar híbrido. Bateria muda a conta: entram autonomia desejada, curva de consumo, tarifa e o custo do equipamento. É o momento de garantir que a sua ferramenta de proposta dá conta de sistemas híbridos e off-grid, e não só do on-grid simples.
- Ter argumento técnico, não discurso de tendência. O cliente que já foi vendido uma vez pergunta em cima de número: quanto economiza, em quanto tempo paga, o que acontece quando falta energia. Chegar na feira com essas perguntas na mão rende mais do que sair de lá com catálogo.
Esse deve ser um dos temas centrais do congresso técnico da Intersolar South America 2026, ao lado da ees South America, dedicada especificamente ao armazenamento. Para quem quer entender como precificar, argumentar e vender storage com segurança técnica — e não só repetir o discurso do momento —, vale acompanhar de perto o que o setor vai discutir em agosto, seja presencialmente, seja pela cobertura que o mercado vai trazer. Se o assunto interessa, vale também revisitar o que já mudou no marco regulatório: reunimos em outro post como o integrador pode se preparar para as novas medidas regulatórias de armazenamento e, num panorama mais amplo, como superar os gargalos regulatórios e escalar em 2026.
A virada é maior do que a bateria
O armazenamento é só o exemplo mais visível de uma mudança de fundo. Em um cenário onde crescer não depende mais só de captar cliente novo, a diferença entre a integradora que estagna e a que continua expandindo está na capacidade de diversificar oferta, reter a base que já conquistou e sustentar isso com uma operação organizada — comercial, engenharia, financeiro e pós-venda conversando entre si em vez de cada um no seu arquivo.
Vale a comparação com o outro dado incômodo do setor: apenas 10% das integradoras fundadas antes de 2016 seguem ativas, segundo a Greener. O que derrubou as outras não foi ter escolhido a tendência errada. Foi não ter operação para aproveitar nenhuma delas.
É esse tipo de estrutura que a SolarMarket ajuda o integrador a construir: dimensionamento e proposta que dão conta de híbrido e off-grid, gestão comercial que mostra quem é a sua base instalada e pós-venda com monitoramento que transforma cliente antigo em nova venda. Não uma aposta isolada numa tendência, mas a gestão que permite aproveitar qualquer tendência que o mercado trouxer.
Vai à Intersolar 2026 e quer voltar com um plano em vez de um saco de folhetos? Fale com a gente e agende um diagnóstico da sua operação.
Fontes consultadas
- ABSOLAR, projeções para 2026 (potência instalada, investimento e empregos) — via Canal Solar e pv magazine Brasil
- CELA (Clean Energy Latin America), estimativas do mercado de baterias no Brasil — via WTW Insights
- pv magazine Brasil e Brasil BESS, projeções de capacidade instalada e leilão LRCAP para 2026
- Intersolar South America / The smarter E South America, dados oficiais do evento
Perguntas frequentes
Quando e onde acontece a Intersolar South America 2026?+
De 25 a 27 de agosto de 2026, no Expo Center Norte, em São Paulo. A feira faz parte da plataforma The smarter E South America, que reúne no mesmo espaço a ees South America (armazenamento), a Power2Drive (mobilidade elétrica) e a Eletrotec+EM-Power (infraestrutura elétrica).
O mercado solar brasileiro está encolhendo em 2026?+
Em novas instalações, sim: a ABSOLAR projeta 10,6 GW adicionados em 2026, queda de 7% frente aos 11,4 GW de 2025. Mas a base acumulada continua crescendo e deve fechar o ano em 75,9 GW. O mercado não sumiu — ele mudou de lugar, saindo da primeira venda para a base de clientes já instalada.
Por que o mercado de baterias cresce enquanto o solar desacelera?+
Porque as duas curvas respondem a estímulos diferentes. A instalação nova sofre com juros altos, restrição de conexão à rede e cortes de geração, enquanto o armazenamento é impulsionado pelo avanço do Fio B, pela insegurança de fornecimento e pela regulamentação que passa a remunerar potência e disponibilidade, não só energia gerada.
O que é o LRCAP e por que ele importa para o integrador?+
O Leilão de Reserva de Capacidade contrata potência e disponibilidade em vez de apenas energia gerada, o que abre caminho para sistemas de armazenamento participarem formalmente de leilões regulados. Para o integrador, o efeito prático é indireto e importante: leilão regulado dá escala à indústria de baterias, o que tende a puxar preço e disponibilidade de equipamento para baixo.
O que é retrofit com bateria?+
É a instalação de um sistema de armazenamento em um cliente que já tem geração solar funcionando. Virou argumento de retenção para integradoras, porque responde à pergunta que o cliente antigo passou a fazer com o avanço do Fio B: quanto eu ainda estou economizando de verdade?
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