As Cidades Mais Promissoras para Energia Solar no Brasil até 2035

Mato Grosso, Minas Gerais, Goiânia e Petrolina lideram o ranking solar até 2035. Saiba onde investir e como posicionar sua integradora.

Onde o sol, o agronegócio e o crescimento urbano se encontram para criar os maiores polos fotovoltaicos do país na próxima década

Números-chave:

  • 64,7 GW — Capacidade projetada Brasil 2025
  • +25% — Crescimento projetado ao ano
  • R$ 39,4 bi — Investimentos esperados em 2025
  • 396 mil — Novos empregos projetados em 2025

* Números com estimativas geradas em Junho de 2025.

O Brasil está diante de uma das maiores oportunidades de sua história energética. Com investimentos superiores a R$ 39 bilhões esperados somente neste ano, a energia solar deixou de ser promessa para se tornar protagonista da matriz elétrica nacional. Mas, dentro desse contexto de expansão acelerada, uma pergunta estratégica surge com cada vez mais urgência: quais cidades e regiões irão concentrar o maior potencial de crescimento solar até 2035?

A trajetória recente do setor fotovoltaico brasileiro é impressionante. Esse crescimento não é uniforme. Ele se concentra em regiões onde fatores estruturais se acumulam: alta irradiação solar, expansão industrial e logística, crescimento populacional acelerado, disponibilidade de áreas produtivas e, cada vez mais, uma demanda energética crescente impulsionada pela industrialização do agronegócio. Identificar essas regiões com precisão é crítico para a expansão das integradoras..

A análise a seguir cruza os dados do ranking IBGE Cidades 2025 das 20 cidades mais promissoras do Brasil até 2035 com os critérios técnicos que definem o potencial fotovoltaico de uma região: incidência solar, dinamismo econômico, expansão de infraestrutura e perfil energético da demanda local.

O Ranking Solar das Cidades Mais Promissoras

1º — Mato Grosso: Sinop e Lucas do Rio Verde Centro-Oeste · Agronegócio Solar · Geração Distribuída e Utility Scale

Se há uma região no Brasil onde a energia solar encontrou sua vocação mais natural e estratégica, ela está no norte de Mato Grosso. A combinação entre alta radiação solar, explosão do agronegócio e disponibilidade territorial praticamente ilimitada cria condições únicas para que o estado se torne o maior polo de geração solar privada do Brasil na próxima década.

Os dados já confirmam essa tendência. Sinop figura como a 4ª maior cidade geradora de energia solar do estado, com 12 projetos de minigeração distribuída em operação e crescimento acelerado. Lucas do Rio Verde, por sua vez, lidera com 912 unidades de geração distribuída e 18,6 mil quilowatts de potência instalada, com números expressivos para uma cidade de porte médio que se consolida como capital do agronegócio mato-grossense.

O vetor de crescimento é claro: as grandes tradings e cooperativas agrícolas da região são consumidoras intensivas de energia, especialmente nos processos de armazenagem, secagem de grãos, irrigação e industrialização. Uma fazenda de soja em Lucas do Rio Verde que instalou sistemas fotovoltaicos relatou redução de 40% nos custos com energia elétrica em apenas dois anos.

Fatores de destaque:

  • Altíssima irradiação solar durante o ano todo
  • Maior polo do agronegócio nacional em expansão
  • Demanda energética industrial crescente (armazenagem, irrigação)
  • Infraestrutura logística em expansão (BR-163, Ferrogrão)
  • R$ 1,3 mi liberados pela Desenvolve MT em crédito solar em 2024
  • Expansão industrial e crescimento urbano acelerado

Perspectiva 2035: Mato Grosso tende a se tornar o maior polo de expansão solar integrado ao agronegócio no Brasil. A adesão de empresas agroindustriais à geração própria de energia deve acelerar exponencialmente com a maturidade do setor e a redução contínua dos custos de instalação.

2º — Minas Gerais: Uberlândia, Patos de Minas e Nova Lima Sudeste · Líder Nacional em Geração Distribuída · Mercado Maduro

Minas Gerais não é apenas um estado promissor para energia solar, na verdade é o estado que já lidera. Com 9 GW de potência fotovoltaica instalada até 2024, Minas supera mais de 150 países em capacidade solar, resultado direto de políticas públicas estruturadas como o programa Sol de Minas, que desde 2019 multiplicou a potência instalada por mais de 17 vezes.

Uberlândia é o símbolo mais eloquente desse protagonismo. Com 171,3 MW de potência instalada em geração distribuída, a cidade do Triângulo Mineiro lidera o ranking estadual e figura entre as 10 maiores do país, competindo com as capitais. Seus 18.448 sistemas fotovoltaicos em operação demonstram que o mercado mineiro não é apenas grande, mas maduro e diversificado.

Patos de Minas, com 57,2 MW instalados, une agronegócio produtivo e demanda industrial crescente. Nova Lima, polo corporativo e de alto padrão próximo a Belo Horizonte, representa o segmento premium do mercado: empresas e empreendimentos imobiliários de alto valor agregado com crescente demanda por soluções de energia limpa e certificações ESG.

Fatores de destaque:

  • Líder nacional em geração distribuída solar
  • Programa Sol de Minas: marco regulatório e incentivos sólidos
  • Mercado residencial, comercial e industrial consolidado
  • Meta: 1 milhão de conexões solares até 2026
  • Incentivos fiscais para energia renovável ativos
  • Infraestrutura elétrica e regulatória madura

Perspectiva 2035: Minas Gerais deve consolidar sua posição como referência nacional em geração distribuída — especialmente nos segmentos residencial e comercial. A maturidade regulatória do estado cria um ambiente previsível para investimentos de longo prazo, com payback de projetos chegando a menos de 5 anos em algumas regiões.

3º — Goiás: Goiânia Centro-Oeste · Expansão Urbana Acelerada · Solar Residencial e Comercial

Goiânia representa o caso clássico de uma metrópole em expansão acelerada cujas necessidades energéticas crescem mais rápido do que a infraestrutura convencional consegue acompanhar. Como centro logístico nacional e polo de crescimento imobiliário intenso, a capital goiana reúne os fatores que historicamente impulsionam a adesão massiva à energia solar: contas de luz elevadas, alta irradiação solar ao longo do ano e uma classe média urbana cada vez mais consciente das oportunidades de economia e autonomia energética.

O clima do Centro-Oeste favorece a geração fotovoltaica de forma consistente, com níveis de irradiação que superam regiões europeias reconhecidas como líderes solares mundiais.

Fatores de destaque:

  • Expansão imobiliária acelerada com novos condomínios e loteamentos
  • Irradiação solar consistente o ano todo
  • Hub logístico nacional com galpões e centros de distribuição
  • Crescimento urbano sustentado por migração regional

Perspectiva 2035: Goiânia deve se tornar um dos maiores mercados de geração distribuída residencial e comercial do interior do Brasil, especialmente com o crescimento de condomínios horizontais e o aumento de galpões logísticos na região metropolitana.

4º — Pernambuco: Petrolina Nordeste · Utility Scale · Polo Petrolina-Juazeiro · Fruticultura Irrigada

Petrolina representa um caso singular no mapa solar brasileiro: uma cidade de porte médio que concentra condições de irradiação entre as melhores do hemisfério sul. O polo Petrolina-Juazeiro já se consolida como o maior complexo de energia solar do hemisfério sul, com mais de 1 GW instalado, segundo dados do Atlas Solar Brasil 2026.

O diferencial estratégico da região vai além da irradiação. A fruticultura irrigada, atividade econômica central de Petrolina, é uma das maiores consumidoras de energia por hectare cultivado. Pernambuco já se tornou o segundo maior gerador de energia solar do Nordeste, respondendo por 14,9% de toda a potência instalada na região.

Fatores de destaque:

  • Uma das maiores irradiações solares do hemisfério sul
  • Fruticultura irrigada com alto consumo energético
  • Polo Petrolina-Juazeiro: +1 GW instalado
  • Potencial gigantesco para grandes usinas (utility scale)

Perspectiva 2035: Petrolina deve consolidar sua posição como referência em energia solar de grande porte no Nordeste, com crescimento concentrado em projetos de utility scale e na eletrificação da cadeia produtiva da fruticultura irrigada.

Síntese Estratégica: Dois Mercados, Uma Oportunidade

A análise dos polos emergentes revela que o mercado solar brasileiro até 2035 se segmenta em dois eixos complementares:

Grandes Usinas e Agronegócio: Mato Grosso, Oeste da Bahia, Pernambuco (Petrolina), Goiás (interior)

Geração Distribuída Residencial e Comercial: Minas Gerais, Goiás (Goiânia), São Paulo (interior), Santa Catarina

No eixo do agronegócio e grandes usinas, o diferencial competitivo está na capacidade de estruturar projetos de maior escala, negociar contratos de energia de longo prazo e oferecer soluções de monitoramento e manutenção. No eixo da geração distribuída, o diferencial está na eficiência de processos, desde a prospecção até o pós-venda. E na capacidade de gerenciar portfólios distribuídos com instrumentos de dados e tecnologia.

Por que a gestão de dados é o próximo campo de batalha do solar

O Brasil está formando, neste momento, dezenas de novos mercados locais de energia solar e cada um com suas dinâmicas próprias de preço, regulação, perfil de demanda e competição. A velocidade com que esse processo avança torna a inteligência de mercado um ativo tão valioso quanto a capacidade de instalação.

Empresas que constroem vantagem competitiva sustentável até 2035 serão aquelas que, além de instalar sistemas com qualidade, conseguem monitorar a performance de cada instalação em tempo real, identificar oportunidades de upsell, antecipar falhas e comprovar o retorno sobre o investimento ao cliente com dados precisos e transparentes.

Fontes e Referências

ABSOLAR — Projeções 2025 · Canal Solar · Portal Solar · IBGE Cidades 2025 · Atlas Solar Brasil 2026 (OPS Energia) · Desenvolve MT · Diário de Uberlândia / ABSOLAR MG · CenárioMT

Redação SolarMarket

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